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Um Deus Ciumento

Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?
Tiago 4:5

 

Estudando a carta de Tiago deparei-me com uma questão, onde Tiago achou esta afirmação nas escrituras? E o questionamento aumento quando vi no rodapé da Bíblia de Estudo Dake a informação de que não existe tal passagem no AT. Se não existe esta afirmação, porque Tiago diria tratar-se de um ensinamento da Escritura? Lembrei-me de ter lido algo sobre Deus ser ciumento em Deuteronômio e encontrei isto:

Porque o SENHOR teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso.
Deuteronômio 4:24

 

Mas aqui fala de um Deus zeloso, nada de ciúmes aqui. O jeito foi mudar de Bíblia. Na tradução da Bíblia de Jerusalém encontro o mesmo texto da seguinte forma:

Pois o teu Deus Iahweh é um fogo devorador. Ele é um Deus ciumento.
Deuteronômio 4:24

 

Não, Tiago não leu a Bíblia de Jerusalém. Mas essa diferença entre a Almeida e a Jerusalém não me deixaram outra alternativa senão ir para o hebraico. Primeiro fui ver o grego, bem mais fácil, mas não resolveu a questão. No grego o texto de Deuteronômio está zeloso (ζηλωτὴς), não me dei por satisfeito, fui ao hebraico e Deus sabe como isso é difícil pra mim. E lá estava a chave do mistério.

No texto hebraico encontrei o termo קַנָּֽא (qana), ‘ciumento’, traduzido para o grego na septuaginta como zeloso (ζηλωτὴς). Aliás, em todos os lugares onde קַנָּֽא aparece no AT relaciona a Deus é traduzido para o grego como zeloso. Acontece que Tiago escreve para cristãos judeus e escreve como judeu. Faz referência a Jesus somente duas vezes em toda a carta, não fosse isto mal daria para reconhecê-la como escrito cristão. Provavelmente Tiago cita aqui o texto hebraico e, não levando em conta a tradução dos LXX, traduz קַנָּֽא como ciumento (φθόνον).

Numa análise rápida do adjetivo hebraico qana encontramos as seguintes possíveis traduções: ciumento, fanático, invejoso. Já para o verbo qine podemos ter: invejar, cobiçar, ter ciúmes, ser zeloso, ser adepto fervoroso. O que leva a crer que motivos que desconheço levaram os LXX a optarem por aproximar o adjetivo do verbo e traduzi-lo como zeloso. Faz-me lembrar do conceito ocidental de ciúme, muito ligado à inveja.

Mas se lermos os versículos anteriores percebemos facilmente que o texto bíblico fala da fidelidade a Deus, e de como ele deseja um amor exclusivo, dedicação integral. Deus não aceita dividir espaço com falsos deuses. Irrita-se com a idolatria, a infidelidade do seu povo. Ciúme, aqui me parece o termo mais aplicável. Trata-se de uma busca por fidelidade, não o ciúme possessivo e doentio que estamos acostumados a ver nos nossos dias. Deus exige exclusividade.

Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
Êxodo 20:4-5

 

Mas os seus altares derrubareis, e as suas estátuas quebrareis, e os seus bosques cortareis. Porque não te inclinarás diante de outro deus; pois o nome do SENHOR é Zeloso; é um Deus zeloso.
Êxodo 34:13-14

 

Guardai-vos e não vos esqueçais da aliança do SENHOR vosso Deus, que tem feito convosco, e não façais para vós escultura alguma, imagem de alguma coisa que o SENHOR vosso Deus vos proibiu.
Porque o SENHOR teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso.
Deuteronômio 4:23-24

 

Dt 5:8-9, Dt 6:14-15, Na 1:2

 

Acho que minha dúvida está dirimida. Sim, Tiago está certo, as escrituras falam de um Deus ciumento, que anseia pela fidelidade do seu povo, que sofre e se irrita com as traições, e que infinitamente ama os seus.

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Julgamentos e acusações

Passaram-se os dias desde que nasci até hoje e jamais encontrei alguém que visse alegria em ser acusado. Mesmo os culpados sofrem ou irritam-se com as acusações feitas contra eles. Com excessão dos psicopatas é claro. Mas pessoas normais não se sentem bem ao serem acusadas. A acusação causa angustia, dor, ira, sofrimento.

Já os que acusam demonstram, não poucas vezes, uma espécie de prazer sórdido que parece nascer de um estranho senso de justiça, mesmo quando trata-se de uma acusação injusta. Quem acusa parece estar sempre certo. Careega consigo tal convicção da acusação que faz que seria capaz de apostar a própria vida nisto. E quando sua acusação revela-se verdadeira e as provas surge, o acusador enche-se de orgulho pela vitória alcançada.

Loucura é o estado de quem acusa a si mesmo. Experimenta ao mesmo tempo a euforia de quem clama por justiça e a dor de quem vê-se acusado por seus crimes. Busca o resultado final da acusação, o julgamento e condenação. Ao mesmo tempo é atormentado pela proximidade de seu julgamento e condenação. Chamam isto de sentimento de culpa. E é tão forte e confusa que pode levar à loucura, à depressão, à morte.

Mas quem pode acusar? Que autoridade tem o malfeitor de acusar o seu comparsa? E quem mal encherga seus próprios atos poderá ver com clareza os atos de outras pessoas, para acusá-las? “Quem pode acusar os escolhidos de Deus, quem os condenará?” (Rm 8:33-34) É Deus quem nos justifica, não quem nos possa acusar. Ou melhor, há um único acusador, ao qual interessa que sejamos condenados, o que busca nossa queda e perdição. Este nos acusa dia e noite. (Cf Ap 12:10).

Deus não nos acusa, nos justifica e perdoa, convida-nos amorosamente a uma mudança de vida. Logo, não é a palavra de Deus que está nos lábios de tantos que se esmeram em acusar, apontar falhas e lançar no rosto do pecador seus pecados. Menos ainda é a palavra de Deus nos lábios de quem relata em conversas veladas, ou aos quatros ventos, os erros e fraquezas de quem se deixou derrotar pelas tentações do dia-a-dia. Por isso a acusação não traz alegria, jamais, nem para o acusador, menos ainda para o acusado.

Mas o Justo Juiz está para fazer a alegria brotar no coração dos acusados, sejam eles inocentes ou arrependidos. Ele virá julgar todos com justiça e equidade. O mesmo que veio ao mundo para salvar é o que virá para julgar vivos e mortos (Cf 2Tm 4:1). Jesus, nossa alegria e justiça, é quem tem o julgamento nas mãos. Qualquer um que tente julgar em seu lugar usurpa o trono de Cristo.

O que faremos então diante do mal cometido por nosso irmão? Ajudá-lo a emendar-se. Apresentar o Deus que é nosso Pai, que deseja que o pecador reconcilie-se com ele, que é misericordioso, que compreende nossas fraquezas, nos aguarda de braços abertos e faz festa por cada pecador que se converte. “Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.” (Romanos 14:13) Ocupemo-nos em espalhar a alegria de Cristo ressuscitado.

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O poder de um sorriso

O homem sentia-se execrado. Todos naquele lugar falavam dele como de um inimigo, um caçador implacável, lobo em pele de cordeiro. Muitos deles nem seuqer o tinham visto. Nenhum deles o conhecia. Mas era assim que o imaginavam. Não importa de onde tiravam essas idéias, o imaginavam assim e pronto.

Cada palavra e pensamento chegava até o homem como flechas lançadas de longe. Como nos filmes ele via as flechas cairem sobre sua cabeça, vindas sabe lá de onde. Ele também não os conhecia. Nunca os tinha visto. Conhecia somente as flechas. E como doiam. Mas não conseguia encolerizar-se. Nunca sentiu raiva de ninguém. Na infância perdeu sua casa, não sentiu raiva. Foi maltratado na escola, hoje chamariam de bulling, mas também não teve raiva dos seus colegas. Teve seu pai assassinado e teve dó do assassino. Nunca conseguiu odiar ninguém. Não iria começar agora.

Chegou o dia. O homem foi convidado para ir àquele lugar. Sabia que encontraria os arqueiros. Não teve ódio. A vingança nem sequer se pronunciou. Mas por instante teve medo. Como irão me receber? Mas tinha bons escudos e uma armadura reluzente, além de pés bem calçados e uma bela espada nas mãos. Foi ao encontro deles.

Na porta, recebendo todos que chegavam, um largo sorriso. Não um sorriso como de porteiro, engessado e obrigado pela função, mas um sorriso sincero, de alguém feliz e disposto a transmitir sua felicidade. Um sorriso o recebeu e abraçou-lhe, envolveu-lhe. Não viu outros sorrisos sequer semelhantes, mas nem precisava, bastava-lhe aquele sorriso que lhe acompanhou o tempo inteiro.

Mal percebeu os olhares acusadores, os cochichos desconfiados, iluminado por aquele sorriso deixou-se conhecer por todos. Quem o quis sondar pode sondar. abriu a guarda, não se sentia mais ameaçado, estava no meio de um sorriso, nenhum mal lhe alcançaria ali. Olharam, examinaram, procuraram o ziper da fantasia e o elástico da máscara. Perberam que não havia máscara, nem tampouco fantasia. E as flechas pararam.

Cada vez que o homem retorna a este lugar o sorriso está lá, mas agora ele reflete-se no seu rosto. Outros sorrisos passaram a surgir, temporários, dependentes, frágeis, necessitados de algum motivo para surgirem, diferentes do sorriso que o recebeu e permanece perenemente a recebê-lo.

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Amigos

Nestes dias um amigo muito querido, separado de mim pela distância, dedicou-me esta poesia. Tenho certeza que a amizade é uma das formas mais lindas da alegria.


Amigos

Tenho amigos que não sabem o
quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes
devoto e a absoluta
necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais
nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela
se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme,
que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar,
embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os
meus amores, mas enlouqueceria
se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem
o quanto são meus amigos e o quanto
minha vida depende de suas existências ….
A alguns deles não procuro, basta-me
saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir
em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com
assiduidade, não posso lhes dizer o
quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão ouvindo esta crônica
e não sabem que estão incluídos na
sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta
que os adoro, embora não declare e
não os procure.
E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem
noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis
ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte
do mundo que eu, tremulamente,
construí e se tornaram alicerces do
meu encanto pela vida.
Se um deles morrer,
eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam,
eu rezo pela vida deles.
E me envergonho,
porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos
sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de
lugares maravilhosos, cai-me alguma
lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer …
Se alguma coisa me consome
e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite
ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e,
principalmente os que só desconfiam
ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.”

Vinícius de Morais


Não, não foi o Vinicius de Morais que me enviou a poesia, mas meu querido Missinho.

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Amigos até o fim.

“E eis que uns homens transportaram numa cama um homem que estava paralítico, e procuravam fazê-lo entrar e pô-lo diante dele. E, não achando por onde o pudessem levar, por causa da multidão, subiram ao telhado, e por entre as telhas o baixaram com a cama, até ao meio, diante de Jesus.
E, vendo ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados. ”
(Lucas 5:18-20)

Como um paralítico, preso à uma cama, conseguiria atravesar uma multidão? Você acha difícil? E que tal subir no telhado de uma casa? E descer pelo telhado, preso por uma corda, no melhor estilo “Missão Impossível”? Existe uma forma de resolver tudo isto de uma só vez, amigos.

O homem provavelmente estava em casa, preso à sua paralisia e sem esperança de mudança, quando chegram seus amigos, “- Vamos ao encontro de Jesus”. Deve ter pensado, “impossível”. Ao ver a multidão deve ter repetido “impossível”. Ao ver a porta bloqueada, “impossível”. Em cima da casa, sendo descido diante do Mestre, já não acreditava existir impossível.

Amigos fazem os impossíveis das nossas vidas desaparecerem, ultrapassam nossos limites, levam-nos onde sozinhos jamais conseguiriamos. Amigos nos impulsionam adiante. Mesmo quando você não aguenta, não quer mais caminhar, o amigo se coloca debaixo do seu ombro, te sustenta e vai até o fim com você, por você. Dá a vida por você.

O homem carregado por seus amigos, pelo meio da multidão, por cima da casa, descido até Jesus, experimentou, pela fé e perseverança de seus amigos, o perdão do Senhor. Mais adiante Jesus fez mais, “- Levanta e anda”. Jesus e os seus amigos lhe deram vida nova, livre de sua paralisia. Como é bom ter amigos.

Feliz dia do amigo.

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Alegrai-vos comigo

E achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida. (Lc 15:9)

É bem simples. Uma mulher tinha dez dracmas e perdeu uma, procurou por todos os lugares, revirou a casa, varreu cada cantinho até que a reencontrou.

Encontrando o que tinha perdido convidou as amigas para alegrar-se com ela, pois tinha encontrado sua dracma. Parece algo bobo e despretencioso? Mas não é como parece. Um dracma correspondia a um dia de trabalho, perder o salário de um dia de trabalho não é pouca coisa. Mulheres casadas não recebiam salários, cuidavam da casa enquanto seus maridos providenciavam o sustento, logo pode ser que seja solteira fora da casa dos pais ou viúva, duas situações de pobreza e exclusão, neste caso a dracma fica mais valiosa ainda. Entendo o empenho desta mulher por encontrar sua dracma.

Mas não quero falar de dracmas, quero falar da alegria. Quantas coisas lutamos para alcançar? Quantas vezes empreendemos nossas forças para conquistar algo? Pedimos a Deus, vamos em busca, e finalmente quando conseguimos experimentamos uma grande alegria. Alcançar um objetivo é sempre motivo de grande alegria. Passar no vestibular, concluir um curso, comprar um carro, conseguir um bom emprego, conquistar o amor da sua vida, vitórias alcançadas nos trazem alegrias. Mesmo quando não somos nós a lutar, mas alguém que nos represente, observem a alegria dos torcedores.

Alegrar-se com a vitória é natural e alimenta a alma. Especial é o que nasce desta alegria. A mulher correu e chamou suas amigas a se alegrarem com ela. Quando a alegria transborda e alcança os que estão em volta ela cumpre sua missão, espalhar-se. Alegria é pra ser espalhada. Alegria que redunda numa provocação, rixa, humilhação contra o outro, não é alegria, é prazer pérfido e doentio. A verdadeira alegria quer ser comunicada, quem se alegra de verdade quer que os outros também se alegrem. Não fica com a festa para si, mas deseja que todos participem.

Aquele que encontra a verdadeira alegria não consegue contê-la em si, deseja que todos ao seu redor a experimentem. Não se trata de simplesmente mostrar que está alegre, mas oferecer desta alegria aos que dela precisam. Encontrei minha dracma e não me basta estar alegre com isto, tenho tanta certeza do bem desta alegria que quero que você alegre-se também. Quem tem um partido, um time do coração, uma religião, quer sempre que seus amigos passem pro seu lado. Eu tenho alegria em Deus, quero que vc alegre-se também.

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Motivo de alegria


Por que nos alegramos? Quantos se perguntam sobre o motivo da nossa alegria? O sorriso no rosto é o primeiro sinal de que há algo diferente acontecendo.

Sorrisos deixam os amargurados perplexos. Há tanto mal, tanto sofrimento, violência e fome, como alguém pode desfilar um sorriso sincero no rosto? Por que eles sorriem e eu não? Os que ouviram falar de Deus têm uma primeira compreensão do motivo: “Grandes coisas o Senhor fez por eles.” Mas continuam perplexos tentando encontrar essas “grandes coisas” e repetem desolados, “- a coisa não está boa pra ninguém”.

Grandes coisas o Senhor fez por mim. Olho à minha volta e contemplo as maravilhas de Deus em minha vida. Tirou-me da depressão, deu-me amigos que me rodeiam, uniu minha família, preparou para mim uma esposa que me ama, fez-me amar profundamente. Ele colocou um canto de louvor nos meus lábios quando o silêncio parecia meu único caminho. Meu Deus me ensinou a agradar-me das obras de sua mão, perceber como são belas as coisas que ele criou. Deu-me a graça de poder anunciar esta alegria.

Isto não me faz um alienado, incapaz de perceber a dor do outro e o mal no mundo. Pelo contrário, faz-me sensível à realidade e desejoso de que o mundo encontro o motivo da verdadeira alegria.

Qual o motivo da sua alegria? Ou, caso você não esteja alegre, qual o motivo da sua tristeza? Olha em volta e vê se Deus não fez grandes coisas por você também. O exílio vem, dificuldades também, tribulações diárias, e quando olhamos para nossas muralhas o que vemos são escombros. Mas muralhas podem ser reconstruídas, tribulações vencidas, dificuldades transpassadas, e o exílio dura só um momento. O que Deus faz por nós não passa. Do meio dos escombros posso ver a maravilha de Deus, nela me alegro.

O que traz tristeza ao coração do homem não é a falta das grandes obras de Deus, elas são abundantes, e sim a busca de alegria em coisas que definitivamente não podem alegrar. Somente da fonte sai água, somente do que é doce sai doçura, do belo beleza. Como retirar alegria do que não pode se alegrar, sorrir ou amar? Buscar alegria nas coisas é buscar água na rocha, só Deus pode fazer brotar água da rocha, só Ele pode realizar obras de alegria em nossas vidas. Estas sim são grandes coisas.

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Alô, Maria?

O homem não tinha muito dinheiro, nem muita comida, ou muitas coisas suas. Não tinha um lugar pra ficar, só as ruas da cidade por onde andava tranquilo, a marquize, as estrelas e um sorriso no rosto.

Um sorriso meio despretensioso, de quem simplesmente quer sorrir, de quem não tem motivos para não sorrir. Está bem como está. Tem certeza de que está e estará sempre bem e a cada dia melhor. Sorriso de quem consegue ver o belo ao seu redor e encantar-se com isso.

Todo dia era assim, acordar com o nascer do sol, antes do pessoal da loja chegar, juntar suas poucas coisas, limpar a calçada e sair, ninguém precisava saber que ele esteve ali. Daí às ruas, um trocado aqui, um papo ali, para-brisas, vitrines, quase invisível no meio da multidão. Descobriu que sabia fazer malabares. Divertia amigos e desconhecidos. Seguia dia a dentro tentando não incomodar, reconhecer alguém, causar sorrisos e juntar trocados.

Toda noite reunia-se com os amigos para partilhar o soldo do dia, contar os causos do dia, ouvir o passado alheio e procurar o próprio. Sempre tinha sopa. Sempre tinha café quentinho. Quase sempre tinha pão. Dias de festa tinha leite. Não sabia ao certo se tinha leite por ser festa ou era festa por ter leite. Praça sempre cheia e boas risadas enchiam a noite.

“- Preciso ir agora amigos” Sempre saia às 19:00 horas, ia ao orelhão.
“- Pra quem ele liga toda noite?”
“- Liga pra filha dele” e riam dele.

Não sabia seu nome, seu endereço, sua origem, sua infância, sabia que tinha uma família, uma filha, que o nome dela era Maria. Pensava que trabalharia durante o dia. Provavelmente teria filhos. Procurava por ele. E, desde que encontrou uma velha lista telefônica, ligava todas as noites para alguma Maria da lista, qualquer Maria. Todas as noites ele ligava e dizia o mesmo “alô, Maria?” e aguardava em silêncio.

“- Alô, Maria?”

“- Alô, pai?”

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Nada Temerei – 1

Em dias de perseguição olho para Deus e ele olha para mim. A alegria de ser olhado por Deus com tanto amor bane todo medo e “mil caem à minha esquerda e dez mil à minha direita”, eu não sou atingido.

Nada Temerei
 Isaias Luciano

Se não tenho Deus no coração
De que vale a vida?
Mas se Deus está em mim
Nada temerei.

Me entreguei ao meu Senhor
Não tenho mais o que temer
Me acontecem problemas
Mas eu olho para Deus

As pessoas não entendem
Tudo parece tão ruim
Mas eu olho para Deus
E Ele olha para mim

E é tanto amor no seu olhar
Que começo a me alegrar
Deus está em mim
Nada temerei

Se minha fé desfalece
Meus irmãos me fortalecem
E louvando ao meu Senhor
Vejo a minha vitória

É Jesus, é Jesus
Nada temerei, nada temerei

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Mesmo no sofrimento

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da manada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação.”
(Habacuque 3:17-18)

Alguém pode perguntar: “Como afirmar-se portador de uma alegria sem fim diante de tantos sofrimentos?” Observe uma criança. Os mesmos males que assolam o mundo a rodeiam também. Mas, no colo de sua mãe ela sente-se consolada e alegre. Mesmo que esteja doente e acamada, quando tem sua mãe ao lado o sofrimento não lhe tira a alegria. Em alguns casos, mesmo a presença de um amiguinho da escola já lhe põe um sorriso no rosto. É que o motivo de sua alegria é maior que o motivo do seu sofrimento. Lógico que se assusta quando o mal bate à porta. Mas agarra-se à razão de sua alegria e segurança e encontro pouso.

Os judeus nos campos de concentração nazista sobreviviam porque, embora ao seu redor tudo fosse morte e tristeza, eles agarravam-se à razão de sua alegria e salvação, ao seu Go’el. E os nazistas não podiam entender como homens e mulheres tão frágeis suportavam tantos sofrimentos.

Quando a minha alegria está em alguém ou em alguma coisa específica, basta a sua ausência para me entristecer, mas na sua presença as aflições são só aflições, não podem dominar. Imagine quando minha alegria está em alguém que não se ausenta, não passa, não muda e não falha? Daí todas as tribulações deste mundo passam, são apenas eventos. Sim, sinto seus efeitos, não estou livre do sofrimento, mas eles não podem alcançar a razão da minha alegria, que é infinitamente maior que qualquer sofrimento.

O sofrimentos virão mas “eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.”

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